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Do diagnóstico à luta: ativistas usam as próprias vivências como ferramentas para conscientizar sobre HIV/Aids

01/12/2025 05:03 G1 — Brasil

Ativistas usam as próprias vivências como ferramentas para conscientizar sobre HIV/Aids.
Redes sociais/Kid Junior/SVM
A infecção silenciosa cessa a voz que se cala quando o resultado que chega é positivo para o vírus HIV. Medo, angústia e vergonha são sintomas do diagnóstico. No entanto, ativistas pela prevenção e inclusão de Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV) ecoam as próprias vivências em busca de aumentar a conscientização sobre o vírus e diminuir os estigmas de quem vive com ele.
O g1 conta, nesta segunda-feira (1º), a história de pessoas que decidiram transformar o próprio diagnóstico em uma luta coletiva, em busca de direitos para as PVHIV e também de combater os preconceitos que perduram por décadas.
Na região metropolitana de Fortaleza, Sabrina Luz coincide o próprio sobrenome com o conhecimento que espalha há mais de sete anos. Ela recebeu o diagnóstico de HIV há 15 anos, mas levou oito para conseguir falar publicamente sobre o assunto. Hoje, ela é voz ativa na luta por direitos das pessoas vivendo com o vírus.
Quem também usa a própria experiência como ferramenta de conscientização é Carlos César Abreu, mais conhecido como “Salmão”. Ele vive com o vírus desde 2015 e, há quase cinco anos, decidiu falar abertamente sobre a própria condição, em busca de combater a sorofobia — o preconceito contra pessoas diagnosticadas com o vírus HIV.
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que, entre 1983 e novembro de 2025, o estado registrou 25.542 casos de infecção pelo HIV, além de 27.516 casos de Aids em adultos e 473 em crianças.
Vergonha virou orgulho
Sabrina Luz fala do impacto de usar as redes sociais para levar informações sobre HIV.
A ativista Sabrina Luz, de 43 anos, acumula mais de 20 mil seguidores no Instagram, onde ela mistura a própria rotina com informações pertinentes sobre HIV/Aids, que vão desde a prevenção até a rotina de tratamento. No entanto, ela demorou anos para conseguir falar abertamente sobre a própria sorologia. Entre os receios, estava o preconceito.
“Desde o início eu tinha essa vontade de falar abertamente, mas não conseguia por causa do medo, do receio, do preconceito das pessoas, como que essas pessoas iriam agir, como que minha vida ia ser a partir de que todo mundo ficasse sabendo. Então eu preferi silenciar por um tempo”, explicou Sabrina, que mora em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
Um dos receios também estava relacionado à própria vida amorosa. Vivendo com HIV, ela temia que a sorologia fosse impedimento de construir um relacionamento. A dúvida acabou quando ela conheceu Bernardo Luz, esposo dela. Eles, inclusive, vivem um relacionamento classificado como “sorodivergente”, quando uma das pessoas possui HIV e a outra não.
“Quando eu comecei a compartilhar a minha vivência, o horário de eu tomar minha medicação, quando eu ia ter consulta, quando eu ia pegar minha medicação, como era viver com HIV e ser casada com uma pessoa que não tinha HIV, as pessoas começaram a se identificar”, declarou a ativista.
Sabrina Luz, 43 anos, é moradora de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
Kid Junior/SVM
“As pessoas começaram a compartilhar comigo as lutas delas, o que elas viviam. Pessoas que não podiam falar para as outras, que tinham receio de contar para sua família. Muitas pessoas começaram a me procurar, se identificando comigo e também buscando esse apoio”, reforçou Sabrina.
A decisão de passar a construir a luta contra a sorofobia veio a partir de experiências de preconceito que ela presenciou ainda enquanto não havia revelado publicamente que vivia com HIV. Falas discriminatórias, atitudes repulsivas, entre outras vivências vexatórias, mostraram para Sabrina que ela precisava usar a voz como ferramenta de conscientização.
“Então, se eu sou uma pessoa que vive bem, construo muitas coisas, então eu vou falar para as pessoas aquilo que elas ainda não conhecem, o lado do HIV que elas não conhecem”, explicou a ativista.
“Eu realmente quis mostrar o outro lado do HIV para que as pessoas entendessem que a vida da gente não acaba. Eu estou aqui ainda. Então, foi por isso que eu quis mostrar esse lado”, complementou.
Apoio gera apoio
Carlos Salmão comenta importância de conscientizar as pessoas sobre HIV.
Em 2015, Carlos Salmão foi diagnosticado com HIV. Entre as várias preocupações que passam na cabeça ao receber o resultado, uma se destacava: como ele contaria para a própria mãe, com quem ele morava.
“Era a única pessoa que importava de fato que me aceitasse, que me respeitasse, que entendesse esse lado. E aí, ela entendeu. Quando ela entendeu, eu vi que eu precisava expor isso”, lembrou o ativista de 34 anos.
“Eu trago isso como uma forma de mostrar também para as pessoas vivendo com a HIV que elas não estão sozinhas, que elas podem conversar abertamente sobre isso. E que a gente precisa evoluir, dar um passo, tanto na ciência quanto na quebra do estigma que as pessoas que vivem com a HIV sofrem”, explicou.
Salmão salientou, no entanto, que é preciso respeitar

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