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Mel de chocolate? Cientistas brasileiros fazem descoberta ao extrair compostos de cascas de cacau

09/11/2025 04:00 G1 — Brasil

'Mel de chocolate'? Cientistas brasileiros fazem descoberta ao extrair compostos de cacau
Pesquisadores brasileiros descobriram uma forma inteligente de reaproveitar as cascas de cacau que são descartadas na produção de chocolate e seus derivados para desenvolver um mel enriquecido por compostos encontrados na casca de amêndoa do cacau.
O produto, desenvolvido por pesquisadores de Limeira (SP), cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp), é feito a partir de mel de abelhas nativas do Brasil. O mel enriquecido, que tem 'sabor de chocolate' pode consumido ou utilizado, no futuro, pelas indústrias alimentícia e cosmética, devido às suas propriedades.
🍯 Na fabricação do 'mel de chocolate, o mel de abelhas nativas é usado como 'solvente' natural. Ele age na extração de substâncias como cafeína, teobromina e antioxidantes das cascas do cacau .
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Felipe Sanchez Bragagnolo, primeiro autor do estudo, afirma que a ideia surgiu do interesse em valorizar produtos brasileiros. O interesse dele também decorreu da complexidade dos méis de abelhas nativas - que se diferencial nos aspectos sensoriais, de sabores e suas características. (leia mais abaixo)
No atual processo entre o plantio do cacau e a produção industrial de seus derivados, as cascas costumam ser descartadas. O reaproveitamento em larga escala, se aplicado, além de reduzir os resíduos do setor, pretende entregar um mel enriquecido em bioativos.
"A casca das amêndoas de cacau constitui aproximadamente 20% do peso da amêndoa e poderão ser usadas para que seja produzido o subproduto", ressalta o pesquisador.
Recipiente contendo mel de abelha usado em pesquisa da Unicamp, em Limeira (SP)
Reprodução/EPTV
🌱 De acordo com o IBGE, a quantidade de cacau produzida no Brasil no ano passado foi de 297,5 toneladas. O Estado que concentrou a maior produção foi o Pará.
Patente 🖋️
Os processos desenvolvidos na pesquisa estão protegidos por patente. O estudo da universidade paulista é vinculado à Agência de Inovação da Unicamp (Inova).
Para a pesquisa, as cascas de cacau foram fornecidas gratuitamente pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), em São José do Rio Preto (SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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Compostos contidos nas cascas de amêndoa do cacau usados para enriquecer mel por pesquisadores da Unicamp em Limeira (SP)
Reprodução/EPTV
Entenda no infográfico abaixo como é o processo de extração dos bioativos da amêndoa do cacau e seus possíveis impactos.
Infográfico: entenda o processo para produção do mel com sabor de chocolate
Arte/g1
Mel de abelhas sem ferrão
O mel de abelhas nativas, sem-ferrão, foi escolhido para atuar como 'solvente' no beneficiamento da amêndoa do cacau por possuir maior quantidade de água e apresentar menor viscosidade do que o da abelha-europeia (Apis mellifera), segundo o pesquisador.
"O mel da abelha europeia é mais viscoso devido ao menor teor de água. Já o mel das abelhas sem ferrão possui maior conteúdo de água, o que o torna menos viscoso e, portanto, mais adequado para processos de extração [de bioativos]", explica.
Foram testados na pesquisa méis de cinco espécies brasileiras, sendo elas: borá (Tetragona clavipes), jataí (Tetragonisca agustula), mandaçaia (Melipona quadrifasciata), mandaguari (Scaptotrigona postica) e moça-branca (Frieseomelitta varia).
Abelha mandaguari, abelha mandaçaia, abelha jataí, abelha borá e abelha moça-branca
Felipe Sanchez Bragagnolo/acervo pessoal / Felipe Sanchez Bragagnolo/acervo pessoal / Felipe Sanchez Bragagnolo/acervo pessoal / Fototeca Cristiano Menezes/FCM-USP / Fototeca Cristiano Menezes/FCM-USP
A pesquisa trabalhou com o mel da mandaguari (de abelhas nativas) devido aos valores intermediários de água e viscosidade, mas é possível adaptar o processo de produção ao mel que estiver disponível localmente, de acordo com Felipe.
Valorização das abelhas nativas 🐝
A iniciativa espera contribuir para a valorização das abelhas nativas do Brasil. Em entrevista ao g1, Bragagnolo contou que aprecia as abelhas-sem-ferrão e que acredita que a pesquisa pode contribuir para trazer visibilidade e valor aos produtos derivados destas espécies.
"Alguns restaurantes da alta gastronomia já utilizam esses méis e há potencial para que cooperativas e produtores locais também adotem a abordagem, diversificando seus produtos".
Ele indica que o mel enriquecido pode ser usado como calda em cafeterias e restaurantes que busquem produtos com origem na biodiversidade nacional. O produto também possui aplicações na indústria cosmética, como ingrediente funcional, graças aos bioativos do mel e do cacau, que funcionam como antioxidantes e anti-inflamatórios.
Quando o produto chega ao mercado?
Contudo, ainda não há previsão de quando o prod

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