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Operação flagra irregularidades em postos de combustíveis de organização criminosa investigada por ligação com o PCC

21/10/2025 20:39 G1 — Brasil

Polícia flagra irregularidades em postos de organização criminosa de SP
A Polícia Civil de São Paulo flagrou nesta terça-feira (21) irregularidades de postos de combustíveis de uma organização criminosa suspeita de ligação com o PCC. Um dos postos vendia gasolina com 90% de concentração de etanol.
Os endereços vistoriados nesta terça-feira (21) fazem parte da lista de mais de 250 postos citados na Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis. Logo cedo, policiais civis, fiscais da Agência Nacional do Petróleo e auditores da Fazenda Estadual estiveram em postos na Baixada Santista e no interior, e encontraram irregularidades em quatro.
Em Praia Grande, por exemplo, os fiscais lacraram um posto que desrespeitava o limite de até 30% de etanol na gasolina. Em uma amostra, a concentração chegava a 90% - três vezes mais do que o permitido. No mesmo posto, a fiscalização descobriu que as bombas estavam programadas para liberar menos combustível do que o indicado no visor. Os agentes encontraram a mesma fraude em um outro posto, em Santos.
"O objetivo com a operação de hoje, com esse foco aí de atacar o braço varejista, atacar a adulteração dos combustíveis e também a fraude da volumetria, ou seja, o cidadão vai até o posto e aí ele abastece, ele pede 20 litros e, ao invés de 20 litros, a bomba abastece o carro dele com 18, por exemplo”, diz Tiago Correia, delegado de Polícia Civil/SP.
Em Araraquara, a força-tarefa apreendeu computadores e documentos. A polícia afirma que os seis postos alvos da operação desta terça-feira (21) pertencem ao empresário Mohamad Hussein Mourad. Ele é suspeito de chefiar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em todas as etapas da cadeia de produção e venda de combustíveis no país.
Segundo os investigadores, Mohamad controla mais de 50 postos de combustíveis e outras empresas do setor. Tudo em nome de “laranjas”, a maioria parentes de Mohamad. Entre eles, o primo Himad Abdallah Mourad, suspeito de administrar mais de uma centena de postos de combustíveis usando o próprio nome, uma empresa ou um testa de ferro. Mohamad Hussein Mourad e outras sete pessoas estão foragidas desde agosto de 2025.
Durante a investigação, a polícia observou que os seis postos vendiam etanol e gasolina a preços muito abaixo dos praticados no mercado. Em um setor que costuma ter margens de lucro apertadas, esse foi mais um sinal de que havia algo errado.
O chefe de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo em São Paulo diz que os consumidores também devem ficar atentos na hora de abastecer.
"O preço, na verdade, ele não é uma garantia de qualidade ou de não conformidade de um combustível, mas quando ele está muito abaixo da média, pode estar indicando determinada fraude - uma fraude em qualidade, uma fraude volumétrica ou até uma fraude tributária. Às vezes, vai economizar alguns centavos no todo e vai tomar um prejuízo muito maior e uma dificuldade para recuperar aquele prejuízo no caso de um dano material ou um dano pior”, afirma Wilson Esteves, chefe do núcleo de São Paulo da Agência Nacional de Petróleo.
O advogado de Mohamed Mourad disse que não há provas de envolvimento dele com o PCC ou qualquer outra organização criminosa. Não conseguimos contato com a defesa de Imad Mourad.
A empresa Rod Oil disse que desde março identificou inconsistências, rompeu os contratos com os postos irregulares, e que eles estão em fase de retirada da marca.
Operação flagra irregularidades em postos de combustíveis de organização criminosa investigada por ligação com o PCC
Reprodução/TV Globo
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